terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Dia 1 - Cris J.

A partir do momento que decidi parar de reclamar, resolvi adotar uma pulseirinha no braço como sugere o idealizador. A cada momento que eu reclamar, mudo a pulseira de braço e recomeço a contagem dos dias. Isso talvez vá longe.

Qualquer pulseirinha vale. Até uma chiquinha de cabelo.

Até comecei bem. Com cinco minutos de pulseirinha, derrubei um vaso se flores dentro da pia da cozinha. De ponta cabeça. Encheu a pia de terra e, possivelmente, entupiu. Pra minha própria surpresa, ao invés de reclamar e xingar, eu dei risada. Típico de mim essas artes mirabolantes, ainda mais no primeiro dia sem reclamar.

Só que mais tarde, acabei percebendo o que outro escritor já havia notado: a gente reclama não só por palavras, mas também por sons. Quando a menina que mora comigo comentou que ainda tinha sobrado frango, soltei um "aaaahhhh..." e não deu nem tempo de pensar. Pronto, troquei  a pulseira de braço.

Ainda reclamei mais duas vezes sobre algo que não me lembro mais. E combinamos de que valem apenas as reclamações verbalizadas, as pensadas não (senão eu já teria contabilizado mais uma quando vi o Pondé falando no Jornal da Cultura). Parece que se você pára de reclamar verbalmente, os pensamentos resmungões também diminuem.

Veremos.
Cris J.

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