A partir do momento que decidi parar de reclamar, resolvi adotar uma pulseirinha no braço como sugere o idealizador. A cada momento que eu reclamar, mudo a pulseira de braço e recomeço a contagem dos dias. Isso talvez vá longe.
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| Qualquer pulseirinha vale. Até uma chiquinha de cabelo. |
Até comecei bem. Com cinco minutos de pulseirinha, derrubei um vaso se flores dentro da pia da cozinha. De ponta cabeça. Encheu a pia de terra e, possivelmente, entupiu. Pra minha própria surpresa, ao invés de reclamar e xingar, eu dei risada. Típico de mim essas artes mirabolantes, ainda mais no primeiro dia sem reclamar.
Só que mais tarde, acabei percebendo o que outro escritor já havia notado: a gente reclama não só por palavras, mas também por sons. Quando a menina que mora comigo comentou que ainda tinha sobrado frango, soltei um "aaaahhhh..." e não deu nem tempo de pensar. Pronto, troquei a pulseira de braço.
Ainda reclamei mais duas vezes sobre algo que não me lembro mais. E combinamos de que valem apenas as reclamações verbalizadas, as pensadas não (senão eu já teria contabilizado mais uma quando vi o Pondé falando no Jornal da Cultura). Parece que se você pára de reclamar verbalmente, os pensamentos resmungões também diminuem.
Veremos.
Cris J.

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